Indisciplina, como detê-la?
Educar exige, ao mesmo tempo, criatividade, flexibilidade, escuta e limite. Na teoria, isso parece fácil, mas na prática, não o é. As Escolas hoje, estão cada vez mais à mercê deste drama. Professores se questionam se a forma que estão ensinando é a mais correta , o aluno por sua vez não quer se enquadrar, debate,critica, ofende, denigre a imagem daqueles que estão sempre dispostos a interagir neste processo magnífico chamado: Educação. Afinal, onde estamos errando? O que falta para que nossos jovens aceitem os limites para que o seu convívio pleno na sociedade, seja desfrutado de maneira coerente e prazerosa?
Começando pelos pais: na ânsia de acertar sempre, acabam cometendo erros primários, o que os leva a um sentimento de culpa. Esse sentimento estimula a permissividade, como forma de compensação. Da mesma forma, o medo de errar, frustrar ou contrariar acaba transformando em problemas situações simples do dia-a-dia.
Continuando com os professores: nunca se publicou, discutiu e questionou tanto sobre educação e desenvolvimento emocional de alunos. Da mesma forma, nunca se teve tanta insegurança em relação ao processo educacional. Antes, a tarefa de educar era (ao menos aparentemente) mais simples, pela existência de regras rígidas, quase dogmáticas. Com o decorrer dos anos, a globalização, o avanço da tecnologia, o amplo acesso à cultura, e diante de uma grande massa de informação sobre o processo educativo (e sem saber muito bem o que fazer com isso), educar torna-se um ato mais complexo, e a teoria se torna cada vez mais distante da realidade familiar e educacional. Pais e educadores, por confusão ou insegurança, são levados a posições excessivamente liberais, mescladas de culpa, ao tentarem impor limites aos filhos e alunos (é proibido dizer "não"). Isso resulta, muitas vezes, em uma completa ausência de autoridade, já que educar implica sempre, em menor ou maior grau, a necessidade de impor limites, mediante regras básicas claramente estabelecidas. Nessa inversão de papéis, o autoritarismo e a tirania dos pais e professores cedem lugar ao autoritarismo e à tirania dos filhos e alunos.
Será que os nossos alunos mudaram tanto, ou é a nossa sociedade que está mais exigente, depois que a tecnologia lhe permitiu várias regalias? Na essência, crianças, adolescentes, alunos não mudaram tanto assim: eles foram e sempre serão insistentes quando querem alguma coisa; eles estarão sempre testando autoridade e tentando quebrar limites, com um refinado grau de percepção das fraquezas e inseguranças de pais e educadores.
O diálogo, o respeito, o companheirismo e a comunicação verdadeira são essenciais para o desenvolvimento, assim como o limite e a disciplina.
Esses elementos nos remetem à importância da família como a formadora da primeira identidade social, agindo como mediadora entre o indivíduo e a sociedade. É nessa instituição que se dão os primeiros contatos com o mundo das regras e dos valores vigentes na sociedade. A escola não substitui a família e nem supre a sua falta. Os pais, primeiras referências e figuras de autoridade, tornam-se responsáveis pelas diversas formas com que seus filhos irão lidar posteriormente com os limites impostos pela vida em sociedade. Pais inseguros, omissos, incoerentes serão referenciais negativos para os filhos, estimulando neles a agressividade e a vontade contínua de agir conforme o seu próprio desejo.
(Extraído do : Jornal do Projeto Pedagógico 2002).
Adaptação: Glaucieni Silva
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