Hoje, dia 08 de março, comemoramos o dia Internacional da Mulher. Data essa para homenagear a coragem ante a prepotência machista e o pioneirismo de um grupo de funcionárias de uma tecelagem inglesa pela luta em busca dos direitos das mulheres no século XIX. Mulheres que pagaram com a própria vida para que as mulheres tivessem direito a melhores condições de vida.
Hoje, dois séculos depois da tragédia que transformou as funcionárias desta fábrica em mártires pela luta dos direitos das mulheres, vemos um cenário bem diferente de quando a luta começou, mas ainda com muita coisa a ser mudada. Várias das mudanças vieram mascaradas por um machismo hipócrita, que ainda diz "mulher no volante é perigo constante" e outras pérolas do gênero.
No trabalho, não temos mais penosas jornadas de 16 horas de trabalho, mas as mulheres ainda recebem, em média, 40% menos que os homens para executarem a mesma tarefa, que geralmente executam com maior maestria, organização e detalhismo que os homens. Além disso, ainda são poucas as mulheres ocupando cargos de chefia em grandes empresas ou altos cargos em organizações governamentais.
Em contrapartida, nas escolas, especialmente as de nível superior, as mulheres são maioria. O que deixa claro que a média de anos de estudo das mulheres é maior que a dos homens. Portanto, não existe razão para essas disparidades de cargos e salários apresentada no dia-a-dia.
Na cultura, especialmente na música, nos vemos obrigados a ouvir pérolas da (in) cultura popular como "tô ficando atoladinha", "minha eguinha pocotó" e “boladona, boladona", rebaixando a figura feminina a um simples instrumento de prazer, uma máquina de sexo farto e insaciável pronta para satisfazer as fantasias masculinas. Onde estão as músicas valorizando as mulheres, exaltando a beleza e a sutileza da alma feminina. Como usar a sensualidade quando bumbuns e peitos aparecem se oferecendo a qualquer um que tenha olhos.
No Brasil, fala-se muito em combater o turismo sexual, em fazer o turista vir pelas belas praias, e não pelos bumbuns, mas enquanto exportarmos a imagem de um país onde o carnaval é só bumbum e as mulheres aparecem se oferecendo a primeira câmera que aparece, ficará difícil reverter esse quadro.
No dia-a-dia, além da pérola do volante já citada, convivemos com piadas de loiras (por que será que nunca ouvimos uma piada de loiro?), associação da imagem feminina a futilidade e ao consumismo (por que a maioria de lojas de roupas e calçados em um shopping são para mulheres?) e a criação de um estereótipo de "beleza perfeita", cultuado pela indústria da moda, que faz com que cada vez mais adolescentes percam a saúde e até mesmo a vida em busca de um pseudo corpo perfeito, entre outras coisas.
Hoje, devemos parabenizar mães, irmãs, esposas, namoradas, filhas, amigas e qualquer outra mulher. Entretanto, mais que parabenizar, devemos tomar parte nessa luta e fazermos o que estiver ao nosso alcance para finalmente realizarmos o sonho daquelas operárias que há dois séculos atrás morreram por seu ideal. Muita coisa já mudou, mas ainda há muito a ser feito para podermos efetivamente comemorar essa data com todo o esplendor que todas as mulheres do mundo merecem.
Adaptado do site da Magriça.

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